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Inspecção dos Paços Reais

Record not reviewed.
Description level
Fonds Fonds
Reference code
PT/AHMOP/IPR
Title type
Formal
Date range
1818-04-02 Date is certain to 1820-11-19 Date is certain
Dimension and support
1 lv., (0,07 ml), papel
Holding entity
Arquivo Histórico de Obras Públicas
Producer
Inspecção dos Paços Reais
Biography or history
A urgência da construção de um novo Palácio e o facto da Família Real ter sobrevivido ao cataclismo por se encontrar na zona de baixa sismicidade de Belém/Ajuda, justificou a escolha do local. O novo Paço, habitável desde 1761, veio a ser a residência da Corte durante cerca de três décadas. Em 1794, no reinado de D. Maria I (1734-1816), um incêndio destruiu por completo esta habitação real e grande parte do seu valioso recheio.

Coube a Manuel Caetano de Sousa, Arquitecto das Obras Públicas, a tarefa de projectar um novo palácio de pedra e cal, que foi traçado ainda de acordo com as tendências arquitectónicas do Barroco. Este projecto, iniciado em 1796 sob a regência do príncipe real D. João, foi suspenso decorridos cinco anos de construção, quando, em 1802, Francisco Xavier Fabri e José da Costa e Silva, arquitectos formados em Itália, foram encarregues de o adaptar à nova corrente neoclássica. Esta tarefa, continuada mais tarde por António Francisco Rosa, responsável pelo traçado de “redução” do projecto, nunca veio a ser concretizada integralmente.

A edificação do Palácio da Ajuda, que se prolongou desde 1796 até à década de 30 do século XIX, foi bastante atribulada, reflectindo as diversas conjunturas de cariz político e económico em que o país viveu nesses anos (invadida a capital pelas tropas napoleónicas em 1807 e, mais tarde, toda a problemática da subida ao poder dos liberais), mas também o próprio panorama artístico e arquitectónico, onde um gosto barroco que vinha de Mafra, muito ligado ao poder régio, chegava ao seu fim, suplantado pelo neoclassicismo nascente, directamente importado de Itália. Estas questões estiveram bem presentes nos vários compassos de espera e nas sucessivas interrupções das obras, em parte devido à falta de recursos, outras vezes por sanção económica por parte de quem ocupava o poder numa época já pouco dada a grandes empreendimentos áulicos. O próprio projecto, várias vezes modificado e tendo como autores Manuel Caetano de Sousa, o último arquitecto barroco, e depois Costa e Silva e Fabri, ambos de formação bolonhesa, denuncia uma encruzilhada arquitectónica, da qual o neoclassicismo dos dois últimos saiu vencedor.

Depois do incêndio da Real Barraca, em 1794, D. João VI optou pela edificação de um novo palácio, no mesmo local. Para tal, encarregou Manuel Caetano de Sousa que, a crer nas fortes críticas movidas por Costa e Silva e Fabri, em 1801, desenhou um projecto demasiado vinculado a uma linguagem barroca, e com soluções excessivamente "intrincadas". As obras, iniciadas em 1796, foram interrompidas pouco depois, por falta de recursos, recomeçando os trabalhos em 1802. Neste mesmo ano, Caetano de Sousa faleceu, deixando o Palácio entregue aos dois arquitectos referidos.

Costa e Silva e Fabri respeitaram o que estava então construído, introduzindo, no entanto, as necessárias alterações por forma a tornar o novo palácio real mais digno, sério e majestoso. Assim, o plano geral foi simplificado e reduzido aos núcleos estruturados em torno de dois pátios, sofrendo igual sorte a ornamentação, agora bastante mais depurada.

Apesar de, em 1807, estarem já definidas as equipas de pintores, escultores e decoradores, a chegada a Lisboa das tropas comandadas por Junot teve como consequência a interrupção das obras na Ajuda. Com Costa e Silva no Brasil, foi Fabri quem dirigiu os trabalhos entre 1813 e 1817, introduzindo novas alterações e gerando uma discussão com o primeiro arquitecto, da qual resultou a planta, apenas conhecida pela cópia de 1821. O modelo de Fabri era, com certeza, a Real Caserta de Nápoles, desenhada por Vavitelli. Quando António Francisco Rosa assumiu a condução dos trabalhos, em 1818, as obras prosseguiram em ritmo pouco acelerado, e à data do regresso da família real, muito faltava ainda por fazer. A partir daqui, as cortes insurgiram-se com as verbas gastas na Ajuda, cujas obras se reiniciaram em 1826 por iniciativa de D. Isabel Maria, que procurou tornar o palácio habitável. Reduziu-se o plano a metade, ou seja, a um único bloco, num projecto que foi interrompido pela vitória liberal, em 1833. Só com D. Luís e D. Maria Pia a Ajuda ganhou novo fôlego, tendo Possidónio da Silva transformado a fachada nascente na principal, e acentuando o gosto italiano.

No campo da decoração, o átrio seria ocupado pelo programa escultórico inspirado na iconologia de Cesare Ripa e delineado por Machado de Castro que era, desde 1802, o responsável por esta área. Também aqui se sente o término de um período, bem marcado pelas esculturas executadas por este mestre e os seus discípulos, e o novo classicismo patente na obra de João José de Aguiar.

Os valores civilistas que se pretendiam salientar aqui, mantiveram-se nas pinturas do interior, cujos responsáveis iniciais foram Domingos Sequeira e Vieira Lusitano, sob a direcção da Marquesa de Alorna. As obras que deveriam evidenciar o heroísmo da Nação e os feitos gloriosos dos reis, foram executadas por Cyrillo Volkmar Machado, Cunha Taborda, Fuschini, entre outros.

Scope and content
Livro de registo com informações sobre as obras e materiais para a construção do Real Palácio da Ajuda.
Arrangement
Cronológico
Conditions governing use
Reprodução para exposição, publicação e utilização comercial mediante autorização
Other finding aid
Ficheiro manual
 
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